Rio de Janeiro, Junho de 2001.

 

Quem somos nós.

1 - Breve histórico:

Criada em fins de 1966, com a denominação inicial de Iluminação Rural Indústria e Comércio Gazlux Ltda., a Gazlux Aquecedores S/A é uma empresa familiar que originalmente tinha como objetivo a fabricação de aparelhos portáteis à gás, visando atingir o mercado do interior do Brasil, à época carente de rede de distribuição de energia elétrica.

Em nossa linha de produção inicial, fabricávamos lâmpadas, lampiões, fogareiros, ferro de engomar à gás e o chuveiro à gás (sendo que, estes dois últimos produtos, tornaram a marca GAZLUX conhecida praticamente em todo o Brasil). Com a eletrificação rural, tal mercado, que já dependia das condições climáticas, da qualidade da safra ou da política agrícola, tornou-se quase inexistente.

Devido a tal mudança no mercado, em 1977, direcionamos nossa produção ao mercado urbano, passando, então, a fabricar aquecedores à gás, para uso doméstico, iniciando nossa linha com um aquecedor embutido, que representou uma concepção diferente de tudo que então, se fabricava no Brasil em termos de aquecedores de água, uma vez que deveria ser instalado durante a construção ou em grandes reformas. Logo após o lançamento dos aquecedores embutidos passamos, também, a fabricar aquecedores convencionais, de aceitação mais fácil pelo mercado. Como diferencial, considerando-se que a marca TG, dos aquecedores fabricados pela Gazlux, enfrentou grande resistência no mercado nacional, dominado há décadas por apenas dois outros fabricantes, introduzimos, em nossos produtos, o acendimento automático (matic), que dispensa o uso de fósforo.

Paralelamente à produção de aquecedores desenvolvemos, também, a versão urbana de nosso chuveiro à gás, criando o que chamamos de modelo ABNT, para utilização em obras de baixo custo, em substituição ao chuveiro elétrico. Adequamos nossa versão inicial do chuveiro, por nós chamada de modelo Campestre e que pode ser usado apenas com gás GLP, às novas exigências técnicas, para continuar atendendo ao mercado do interior do Brasil, neste período relativamente reduzido, mas nem por isso desprezível.

Em 1981, já dentro desta filosofia de produção visando o mercado urbano, nossa empresa torna-se uma sociedade anônima, de capital fechado, passando a adotar a denominação atual de GAZLUX AQUECEDORES S.A. Tal transformação em sociedade anônima visava facilitar as negociações, então iniciadas, para uma possível associação com a empresa francesa Chaffoteaux et Maurix, na época maior fabricante de aquecedores na Europa, e com grande interesse em ingressar no mercado brasileiro.

2 Desenvolvimento dos produtos atuais:

A partir de 1988 todos os nossos produtos passaram a ser multigás, baseados no conceito desenvolvido pela Chaffoteaux – queimadores modulares, utilizando o mesmo tipo de queimador para qualquer tipo de gás.

A fabricação de queimadores multigás no Brasil representou, certamente, a mais importante mudança tecnológica ocorrida nos aquecedores nacionais. Até começarmos a produzir os queimadores multigás todos os aquecedores instantâneos no Brasil, independente da marca, utilizavam um sistema de queima cuja tecnologia havia sido desenvolvida praticamente na década de 30 e, há muito, considerada obsoleta em países da Europa e nos Estados Unidos.

Com a produção dos nossos queimadores multigás deu-se início ao processo de conversão para gás natural no Rio de Janeiro, em nível doméstico, até então impossibilitado pela não existência de equipamentos adequados.

O desenvolvimento dos queimadores multigás foi fruto de uma parceria com a Cia. Estadual de Gás – CEG, que providenciou o fornecimento de uma linha especial de gás natural até nossa fábrica, sem qualquer ônus, para que pudéssemos fazer testes e alcançar os resultados desejados para conversão. Em março de 1988 lançamos os aquecedores TG Multigás ou seja, todos os aparelhos fabricados por nós a partir desta data, passariam a utilizar queimadores do tipo multigás, os quais, por seu conceito de módulos, nos permitiu ter aquecedores com diversas capacidades (6, 8 ou 9 L/min.), de acordo com o número de elementos de queima.

Porém, a mais importante conquista de nossa empresa, ao desenvolver o queimador multigás, foi a possibilidade de utilização destes queimadores nos aquecedores já em uso pelos consumidores domésticos, independente da marca, o que viabilizou, de forma definitiva, o processo de conversão para gás natural na cidade do Rio de Janeiro e, mais tarde, de São Paulo. Ou seja, os queimadores, produzidos por nós, podem ser colocados em qualquer aquecedor em uso, de fabricação nacional. Temos hoje queimadores da linha TG, que são usados na conversão de nossos aparelhos, mesmo para os modelos que já deixamos de produzir; queimadores da linha Geral, para colocação nos aparelhos em uso, desta marca; queimadores da linha Cosmopolita, adaptáveis a todos os aquecedores desta marca. E, mais recentemente ainda, com a retomada da conversão pela nova Cia. Distribuidora de Gás, desenvolvemos os modelos 109 e DGG, para colocação em aparelhos Cosmopolita e Junkers existentes nas residências e que já não são fabricados há mais de 30 anos.

Para atender às necessidades da conversão desenvolvemos também, o modelo multigás de nossos chuveiros para substituição dos aparelhos instalados quando da chegada do gás natural. Optamos pela utilização deste mesmo tipo de queimador até mesmo no modelo de chuveiro que denominamos Campestre, embora, neste caso, só se possa usar um tipo de gás, que é o GLP.

3 – Mercado

3.1 – Panorama geral

Culturalmente, o Brasil não tem uma tradição de utilização de aparelhos a gás para aquecimento de água. Preferindo os usuários, na sua grande maioria, o chuveiro elétrico. Podemos lembrar que em nosso país já tivemos sete cidades servidas por gás canalizado, cujas companhias distribuidoras, em geral estaduais e com certeza deficitárias, apenas duas, a COMGÁS em São Paulo e a CEG no Rio de Janeiro, sobreviveram à década de 60. É bem verdade que o gás canalizado foi substituído pelo gás de botijão, de mais fácil distribuição na imensidão de nosso território e muito mais de acordo com a política desenvolvimentista de JK, que valorizou o transporte rodoviário e a indústria automotiva. No entanto, canalizado ou engarrafado, o gás sempre visou o fogão e bem pouco o banho e tanto isto é verdade que o gás de botijão é comumente conhecido como gás de cozinha.

A cidade do Rio de Janeiro sempre foi a grande exceção neste quadro e representa, ainda hoje, cerca de 70% do mercado de aquecedores a gás no Brasil, mas ainda assim com um grande segmento da população preferindo os aparelhos elétricos.

No final da década de 70, quando voltamos nossa produção para o mercado urbano, os grandes atacadistas de material de construção e as próprias construtoras eram os grandes mercado para aquecedores, atuando com força total. Até mesmo nosso chuveiro a gás ganhou seu espaço no mercado de construção de baixa renda, sendo aprovado pela Cia. Estadual de Gás e aceito pelas construtoras como alternativa viável e mais barata do que o custo de instalação da infra-estrutura elétrica que seria necessário a tais obras. Isto pode ser constatado através de grandes condomínios na Barra da Tijuca e em Jacarepaguá, os quais foram entregues no começo dos anos 80 com nossos chuveiros a gás instalados no lugar de chuveiros elétricos, mesmo contrariando a prática comum na época para obras para esta classe de renda.

Com as diversas crises econômicas que o país atravessou ao longo dos anos e que afetaram de modo excepcionalmente perverso o mercado da construção civil em geral e da nossa cidade em particular, as poucas obras concluídas passaram cada vez mais a ser entregues sem aquecedores. Com certeza o segmento mais afetado por estas crises foi o das obras de baixo custo; afetando diretamente o mercado de chuveiros a gás. Pois embora pelo regulamento de instalações prediais, haja obrigatoriedade de colocação de um ponto de gás para aquecimento de água, o consumidor de poder aquisitivo mais baixo faz parte da imensa maioria da população brasileira que prefere, talvez até por razões diversas desta mesma maioria, usar chuveiro elétrico.

O mercado de aquecedores instantâneos, fabricados no Brasil apenas por três empresas – Cia. Geral de Indústrias e Cosmopolita, ambas no Rio Grande do Sul, e nós da Gazlux Aquecedores, única fábrica no Rio de Janeiro – foi, também, no fim dos anos 80, duramente atingido por uma mudança na concepção das construtoras que passaram a priorizar a colocação de aquecedores de acumulação, tipo boiler. Mesmo sendo a gás, estes aparelhos eram colocados na área de serviço e permitiam uma economia na distribuição do espaço construído. O elevado custo para o consumidor fez reverter esta mentalidade, voltando a abrir espaço para os aparelhos instantâneos, mas a concorrência então já não se resumia aos três fabricantes nacionais – a abertura do mercado para o exterior, a partir de 94, com os aquecedores importados sendo vendidos a preços baixíssimos, representou obstáculo difícil de ser vencido.

Ao longo do tempo, no entanto, este mercado já se adaptou às novas circunstâncias da concorrência – a assistência técnica passou a ser importante diferencial. Ressalte-se aqui que os modelos importados atuam num segmento de mercado de renda mais alta. Os nacionais retomaram seu espaço, com seus modelos mais simples que atendem uma população com menor poder aquisitivo.

3.2 – Chuveiros à Gás

3.2.1 – Modelo Campestre

Ao ser lançado no mercado em 1971 este produto, disponível apenas para GLP, visava o interior do Brasil e demais áreas onde a eletrificação não existia ou localidades onde este fornecimento era bastante precário. Atingíamos este mercado através de uma rede de vendedores autônomos, que colocavam nosso produto em várias pequenas lojas do interior, basicamente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país.

O processo de eletrificação rural levado a cabo durante a década de 80, aumentando não só a extensão do território nacional abrangido pela eletricidade como também a qualidade e a confiabilidade do serviço oferecido, aliado à dificuldade cultural de nossa população de usar o gás como alternativa viável para aquecimento, tornou este mercado para o chuveiro à gás praticamente inexistente. Para o pequeno lojista do interior, tal como já acontecia nos centros urbanos de algum porte, tornou-se muito mais fácil vender as famosas "duchinhas" elétricas, muito mais baratas, praticamente auto-instaláveis e com grande giro no estoque.

Ao longo dos anos, ocasionalmente, chamamos a atenção das grandes companhias distribuidoras de gás engarrafado que atuam em nosso país. Um ou outro diretor, com visão mais aguda, viu em nosso chuveiro à gás uma boa oportunidade de alavancar as vendas de seu produto – gás engarrafado. Relativamente fácil de instalar, o chuveiro Campestre serve apenas para GLP e significaria a possibilidade de colocação de mais um botijão de gás. Entretanto, talvez devido ao custo e ao fato de a grande maioria de seu consumidor de varejo ser a população de mais baixa renda, onde o hábito do chuveiro elétrico é mais enraizado, tal interesse nunca se concretizou em grandes negócios.

Hoje a crise energética que o país atravessa mudou a perspectiva deste mercado – passamos de mercado em extinção para mercado em expansão. O medo do corte de energia funcionou, num primeiro momento pelo menos, como um poderoso remédio contra o medo de uso de aparelhos a gás para aquecimento. Todos os fatores que antes da ameaça do "apagão" funcionavam contra a utilização do chuveiro a gás agora trabalham a nosso favor.

3.2.2 – Modelo Abnt

A versão urbana de nosso chuveiro, para utilização com qualquer tipo de gás canalizado, foi lançada na década de 80. Desenvolvido e aprovado pelas normas da Abnt e da CEG – Cia. Estadual de Gás do Rio de Janeiro - permitiu-nos alcançar o mercado de construção de baixa renda.

Para as construtoras o chuveiro à gás, mesmo com um custo unitário do produto mais alto do que o de um chuveiro elétrico simples, representou uma alternativa mais econômica do que a instalação de infra-estrutura elétrica compatível com a demanda de conjuntos habitacionais com grande número de unidades residenciais. Além disso, o próprio regulamento de instalações prediais do Rio de Janeiro obriga a colocação de algum ponto de gás para aquecimento de água, exigência esta cumprida de forma mais barata com a previsão para uso do chuveiro à gás.

Tal mercado, ainda hoje potencialmente grande, sofreu uma grande retração quando, como uma das conseqüências da crise que afetou a indústria da construção civil no Rio de Janeiro, as construtoras passaram a deixar apenas o ponto de gás como previsão, não mais entregando a obra com o aparelho de gás instalado. No caso das obras de baixo custo, com previsão para chuveiro à gás, a opção do consumidor final, em sua maioria esmagadora, acaba sendo pelo chuveiro elétrico.

A própria Cia. Estadual de Gás – CEG, ao iniciar o processo de conversão para gás natural no Rio de Janeiro, colocou nossos chuveiros à gás em substituição aqueles que as construtoras haviam fornecido. É bom lembrar, no entanto que, embora o projeto de conversão para gás natural iniciado pela CEG no final dos anos 80 fosse ambicioso, pretendendo atingir não só toda a área abastecida por sua rede de gás canalizado na cidade como também expandir-se, enquanto Companhia Estadual a realização de tal projeto foi intermitente, dependendo de escolhas políticas para liberação de verbas.

início